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| Xuxa, Rainha dos Baixinhos. |
Após um deslumbre multicolorido, a película começa a colocar as "asinhas de fora" e expõe suas primeiras ironias, direcionadas ao já icônico e falecido jornalista Roberto Marinho. Chamado para "depor" contra o "capitão da empresa", o político Leonel Brizola (ex-adversário político de Marinho) o chama de "Stálin das comunicações". Mantendo as comparações, o acarinhado cantor nacional Chico Buarque diz: "Eu acho que ele é mais poderoso que o 'Cidadão Kane', inclusive", dando uma pista da comparação à qual o título do longa se refere.
O segundo alvo é a segunda pessoa mais "global" do nosso país, a "linda e sexy" Xuxa, que é responsável por trazer consigo mais um radiante dia. Assistida por praticamente todas as crianças e por grande parte dos adultos, ela esbanja recadinhos amorosos e alegria , afinal de contas, "todo mundo tá feliz". Inteligentemente, é proporcionada a nós, telespectadores, a saída daquele glamour matinal, entrando agora, na tela, imagens reais sobre miséria, sendo, ao mesmo tempo, narrada a lastimável situação da distribuição de renda nacional, contradizendo não só a "rainha dos baixinhos", mas, também, o fato da nossa economia estar entre as maiores do mundo.
Voltando ao foco, a Rede Globo, é mostrada sua dominação no nosso território. Com cinco estações e muitas filiais, ela cobre 99,2% da área brasileira, garantindo uma audiência de quase 80%, além de muitos outros grandiosos números e percentuais. Algumas propagandas, de patrocinadores dos programas transmitidos na emissora, são exibidas, todas muito bem elaboradas e sedutoras. A televisão é um meio de comunicação tão dominante, que nosso governo recorre a ela para fazer seus anúncios, mas, invés de mostrar um Brasil realista, cai no comodismo, mostrando um estilo de vida falsamente igualitário e luxuoso.
"The Show", um dos momentos mais descontraídos do vídeo, mostra alguns dos programas corriqueiros da programação da emissora, como os desfiles da escola de samba, o já finito programa do Chacrinha, o "Domingão do Faustão", com suas matérias triviais, e o otimista e ilusório "show da vida" (Fantástico). Mas, rapidamente, volta-se a falar sobre assuntos mais sérios e relevantes, como o surgimento da televisão, as primeiras transmissões, até chegar, finalmente, ao nascimento da Rede Globo, fundada por Roberto Marinho (filho do criador do jornal "O Globo", do qual foi diretor aos 26 anos) no ano de 1965. Em 1957 a rede de tv recebeu sua primeira concessão, dada por Juscelino Kubitschek , e, em 1962, ganhou a segunda, de João Goulart - com quem mais tarde seu fundador bateria de frente. A primeira parte do filme se encerra narrando a censura feita à imprensa, durante o regime militar. A Rede Globo, obviamente, não se opunha à ditadura, e assim se inicia a "parte dois".
Um ponto alto do documentário é o momento em que ele fala sobre as novelas, tão características, que são finalmente lembradas e apontadas como o motivo da supremacia da emissora. Transmitidas durante praticamente todo o horário nobre da grade de programação, elas fazem parte do cotidiano brasileiro, fanatizando, assim, milhões de telespectadores.
Sem esquecer das periferias e da pobreza, os melodramas prestavam sua homenagem à classe popular, muitas vezes, glamourizando e maquiando, fazendo uso de personagens carismáticos e emergentes socialmente. As telenovelas passaram a ditar os costumes e o comportamento de uma época, influenciando diretamente no espaço social. Sem violentar ou repreender, foi conseguida a proeza de domínio das massas.
A terceira parte do filme volta a falar de Roberto Marinho e de seu poder econômico e social, seja num governo ditatorial ou numa democracia, o monopólio continua acontecendo com muito sucesso, deixando bem clara a falta de um perfil político, é uma emissora cuja função é apoiar os governantes, fazendo um casamento de interesses e aprimorando, assim, a sua alçada.
Uma das maneiras mais óbvias e bem-sucedidas de transmitir, com certa seriedade, a visão que seus seguidores devem ter é através dos telejornais. Com notícias curtas, tendenciosas, pouco aprofundadas e milimetricamente controladas, a Globo consegue usar o seu poder de controle sem que haja a percepção de seus audientes, além de adquirir extrema confiança deles em suas matérias.
Dando destaque à maneira como os tele noticiários transmitem suas "boas novas", o documentário adquire uma linguagem mais probatória, baseada em fatos onde existem claras manipulações. Referir-se às "Diretas Já" como um simples comício e editar o debate de Lula e Collor, de 1989, para favorecer o candidato preferido, foram apenas algumas das muitas malandragens da poderosa emissora.
"Muito Além do Cidadão Kane" termina como era de se esperar: arisco, denunciador, formador de opinião e revelador, cumprindo, assim, as expectativas de quem o assiste e mostrando as diferentes facetas utilizadas pela grandiosa Rede Globo, desde um jornalismo contido até as novelas extravagantes.
Apesar de haver mudanças nessas quase duas décadas, separadoras do nosso momento e do contexto tratado no vídeo, ele se mantém atemporal, afinal de contas, não mudou muita coisa nessa realidade. As coisas só pioraram e, no momento, a dita cuja é a 2ª maior rede de tv do mundo, permitindo-me dizer que o seu império só cresceu e conseguiu novos méritos.
O segundo alvo é a segunda pessoa mais "global" do nosso país, a "linda e sexy" Xuxa, que é responsável por trazer consigo mais um radiante dia. Assistida por praticamente todas as crianças e por grande parte dos adultos, ela esbanja recadinhos amorosos e alegria , afinal de contas, "todo mundo tá feliz". Inteligentemente, é proporcionada a nós, telespectadores, a saída daquele glamour matinal, entrando agora, na tela, imagens reais sobre miséria, sendo, ao mesmo tempo, narrada a lastimável situação da distribuição de renda nacional, contradizendo não só a "rainha dos baixinhos", mas, também, o fato da nossa economia estar entre as maiores do mundo.
Voltando ao foco, a Rede Globo, é mostrada sua dominação no nosso território. Com cinco estações e muitas filiais, ela cobre 99,2% da área brasileira, garantindo uma audiência de quase 80%, além de muitos outros grandiosos números e percentuais. Algumas propagandas, de patrocinadores dos programas transmitidos na emissora, são exibidas, todas muito bem elaboradas e sedutoras. A televisão é um meio de comunicação tão dominante, que nosso governo recorre a ela para fazer seus anúncios, mas, invés de mostrar um Brasil realista, cai no comodismo, mostrando um estilo de vida falsamente igualitário e luxuoso.
"The Show", um dos momentos mais descontraídos do vídeo, mostra alguns dos programas corriqueiros da programação da emissora, como os desfiles da escola de samba, o já finito programa do Chacrinha, o "Domingão do Faustão", com suas matérias triviais, e o otimista e ilusório "show da vida" (Fantástico). Mas, rapidamente, volta-se a falar sobre assuntos mais sérios e relevantes, como o surgimento da televisão, as primeiras transmissões, até chegar, finalmente, ao nascimento da Rede Globo, fundada por Roberto Marinho (filho do criador do jornal "O Globo", do qual foi diretor aos 26 anos) no ano de 1965. Em 1957 a rede de tv recebeu sua primeira concessão, dada por Juscelino Kubitschek , e, em 1962, ganhou a segunda, de João Goulart - com quem mais tarde seu fundador bateria de frente. A primeira parte do filme se encerra narrando a censura feita à imprensa, durante o regime militar. A Rede Globo, obviamente, não se opunha à ditadura, e assim se inicia a "parte dois".
Um ponto alto do documentário é o momento em que ele fala sobre as novelas, tão características, que são finalmente lembradas e apontadas como o motivo da supremacia da emissora. Transmitidas durante praticamente todo o horário nobre da grade de programação, elas fazem parte do cotidiano brasileiro, fanatizando, assim, milhões de telespectadores.
Sem esquecer das periferias e da pobreza, os melodramas prestavam sua homenagem à classe popular, muitas vezes, glamourizando e maquiando, fazendo uso de personagens carismáticos e emergentes socialmente. As telenovelas passaram a ditar os costumes e o comportamento de uma época, influenciando diretamente no espaço social. Sem violentar ou repreender, foi conseguida a proeza de domínio das massas.
A terceira parte do filme volta a falar de Roberto Marinho e de seu poder econômico e social, seja num governo ditatorial ou numa democracia, o monopólio continua acontecendo com muito sucesso, deixando bem clara a falta de um perfil político, é uma emissora cuja função é apoiar os governantes, fazendo um casamento de interesses e aprimorando, assim, a sua alçada.
Uma das maneiras mais óbvias e bem-sucedidas de transmitir, com certa seriedade, a visão que seus seguidores devem ter é através dos telejornais. Com notícias curtas, tendenciosas, pouco aprofundadas e milimetricamente controladas, a Globo consegue usar o seu poder de controle sem que haja a percepção de seus audientes, além de adquirir extrema confiança deles em suas matérias.
Dando destaque à maneira como os tele noticiários transmitem suas "boas novas", o documentário adquire uma linguagem mais probatória, baseada em fatos onde existem claras manipulações. Referir-se às "Diretas Já" como um simples comício e editar o debate de Lula e Collor, de 1989, para favorecer o candidato preferido, foram apenas algumas das muitas malandragens da poderosa emissora.
"Muito Além do Cidadão Kane" termina como era de se esperar: arisco, denunciador, formador de opinião e revelador, cumprindo, assim, as expectativas de quem o assiste e mostrando as diferentes facetas utilizadas pela grandiosa Rede Globo, desde um jornalismo contido até as novelas extravagantes.
Apesar de haver mudanças nessas quase duas décadas, separadoras do nosso momento e do contexto tratado no vídeo, ele se mantém atemporal, afinal de contas, não mudou muita coisa nessa realidade. As coisas só pioraram e, no momento, a dita cuja é a 2ª maior rede de tv do mundo, permitindo-me dizer que o seu império só cresceu e conseguiu novos méritos.
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| Bonner lamentando a morte de Marinho |
Encerro minha resenha fazendo uso de uma frase do rei da eloquência, nosso ex-presidente Lula: "Se
você tem um instrumento de comunicação que, por dia, fala com 60, 70 milhões de pessoas, e o controle das mensagens é feito pela mesma equipe, ordenada ideologicamente por um mesmo senhor, eu penso que, aí, está descaracterizada qualquer possibilidade de democracia.".
Segue abaixo o link do vídeo, disponível no Youtube
http://www.youtube.com/watch?v=049U7TjOjSA&feature=player_embedded
http://www.youtube.com/watch?v=049U7TjOjSA&feature=player_embedded


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