quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Quando o remake manda bem

     O interessante de quando anunciam um "remake", de algum dos seus filmes preferidos, é que você sempre espera o pior, imagina: "nunca vai sair igual!", afinal de contas, uma obra-prima é uma obra-prima. Eu, interessado pelo misterioso Tom Ripley (personagem fictício criado por Patricia Highsmith), resolvi ver duas películas, nas quais ele é o personagem principal: da primeira vez, interpretado pelo ator francês Alain Delon (em "O Sol Por Testemunha") e, da segunda, por Matt Damon (em "O Talentoso Ripley").
     Os filmes contam a história de Tom Ripley, um rapaz que possui um dom incomum: a capacidade de imitar, com perfeição, a assinatura, os modos, a voz, tudo numa pessoa. Certo dia ele recebe uma proposta: ir à Itália encontrar Dickie (ou Philippe, em "O Sol Por Testemunha"), o filho de um milionário, e trazê-lo de volta à América, para perto do pai. Em troca disso, receberá uma boa quantia em dinheiro. Entretanto, Tom acaba gostando do estilo de vida levado pelo herdeiro do magnata, e os dois desenvolvem uma amizade, que resulta com Ripley matando Dickie e assumindo seu lugar.
Matt Damon em "O Talentoso Ripley"
     Apesar de ambos os filmes serem excelentes, os acontecimentos são mais bem estruturados no segundo filme, pois este consegue explicar melhor como Ripley encontra Dickie (ou Philippe), como a amizade dos dois rapazes foi construída e, inclusive, a necessidade de Tom de se ascender socialmente (assassinando o amigo e tomando o lugar dele).
     Os "Ripleys" também divergem. Enquanto o de Delon mostra-se mais calculista, frio e aliciador, o de Damon faz mais a linha choramingas, enternecido e até um pouco carente. As diferenças entre eles ficam claras nas cenas do assassinato de Dickie/Philippe, visto que, na primeira adaptação, Ripley já tinha tudo planejado: qual seria a arma do crime e que fim daria ao corpo; já na segunda versão, Tom comete o homicídio após ser terrivelmente ofendido pelo amigo, numa atitude de desespero.
Alain Delon em "O Sol Por Testemunha"
     Apesar das distinções, eles convergem no "talento" que os caracteriza: a capacidade de fazer excelentes falsificações de assinaturas, importante para o processo da usurpação. Os atores estão magistrais no papel e são muito bem apoiados pelos coadjuvantes.
     Ambos os filmes merecem ser vistos. Pra quem gosta mais do gênero policial, a primeira adaptação cai como uma luva; para os fãs de um drama misturado com um suspense inteligente, a segunda é excepcional. Enfim, um dos raros casos de remakes com sucesso. Anthony Mighella, ao dirigir "O Talentoso Ripley", ousou refilmar um clássico e acabou criando outro clássico.

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